A cura através dos livros

A pandemia de Covid-19 veio acelerar o despertar da consciência da nossa humanidade. Existem cada vez mais seres humanos que procuram conectar-se com a espiritualidade, que decidem abraçar as suas feridas emocionais com amor, e que, começam a compreender que é possível curar a dor através da energia do amor. A energia do amor está presente, por exemplo, nas orações, nos mantras e nas meditações.

Será que também é necessário curar a dor nas gerações mais novas? A realidade é que crianças não recebem dos seus progenitores e ancestrais, apenas os genes referentes à cor do cabelo ou dos olhos, recebem também as memórias de dor, os medos e as crenças limitantes. 

Essas memórias acabam por conseguir atrair para a sua vida os mesmos acontecimentos traumáticos que afetaram os seus ancestrais. Não é por acaso que assistimos a repetições de comportamentos em diferentes gerações. Apesar disso, é possível quebrar a repetição de dor. 

Pois, cada vez que começa uma nova geração abre-se um novo caminho de possíveis aprendizagens e curas (que terão repercussões por toda a árvore genealógica). Como é possível ocorrer essa mudança? A mudança passa em muitos casos por uma educação diferente. Se as crianças dos nossos dias foram educadas com livros que as ensinem a olhar para os obstáculos, como portas de entrada de acesso ao seu poder, à sua força e à sua coragem, é possível que tracem um lindo caminho de prosperidade durante a sua vida.

Mas será que os livros têm mesmo capacidade de contribuir para essa mudança? Os livros têm a capacidade de criar crenças! Como é que isso funciona? 

A ideia
Tudo começa com uma ideia. Através dos livros as crianças têm acesso a ideias, a comportamentos, a formas de sentir e ser. Imaginemos que uma ideia é o tampo de uma mesa.

A experiência
Através, dos exemplos nas histórias, as crianças podem experimentar fazer o que as personagens fizeram.

O resultado
Quando as crianças comprovam através da sua experiência que uma ideia resulta, isso faz com que a mesma fique mais sólida. Imaginemos que essa experiência é a perna de uma mesa.

A crença
À medida que essas experiências vão-se repetindo, vamos começando a haver muitas pernas para o tampo da mesa. O tampo da mesa fica seguro e deixa de abanar. Formou-se uma crença. A criança ganhou uma certeza em relação à realidade.

O psicólogo Bruno Bettelheim retrata no seu livro “Psicanálise dos contos de fadas” um caso clínico que exemplifica bem esta situação. Uma jovem adulta recordou durante uma consulta o impacto que o livro “A Pequena Máquina Que Podia” teve na sua vida. Esta história que ouviu na infância encorajou-a a acreditar, que se ela tentasse persistentemente fazer qualquer coisa e não desistisse, acabaria por vencer. Bastaria que cantasse para si própria a fórmula mágica da história “penso que posso, penso que posso, penso que posso…”. Alguns dias após ter ouvido a história, a menina tentou colocar o ensinamento em prática: construir uma casa de papel colando folhas. No entanto, como a casa desabava sempre, acabou por ficar frustrada e por começar a acreditar que falharia, onde qualquer outra pessoa seria bem sucedida.

Este exemplo, mostra que os livros realmente têm a capacidade de gerar crenças nas crianças, que conseguem moldar a forma como estas veem o mundo, e que isso terá consequências na sua vida adulta

A história de “A Pequena Máquina Que Podia” tem intenções positivas: estimular as crianças a desenvolverem o seu poder pessoal, a fazerem coisas novas, a agirem com coragem; a colocarem as suas intenções no mundo, através das suas ações. 

É fundamental que as crianças tenham acesso a histórias que estimulem esses valores e essas capacidades. No entanto, é imprescindível que as crianças também oiçam/leiam outras histórias que lhes mostrem que a vida não é apenas feita da lei de intenção e da ação. Existe uma segunda lei muito importante que é a lei da rendição. É necessário ensinar-lhes a renderem-se à inteligência divina que existe no universo. A aceitarem que não acontece tudo como elas querem e quando querem. A perceberem que o que não corre bem tem um propósito. Tem o propósito de as encaminhar para outro caminho. Outro caminho que será melhor para a sua evolução. 

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