As Estereotipias e o Autismo

Muitas vezes quando ouvimos falar em autismo ouvimos a palavra “estereotipia”. Mas o que são estereotipias? O que as provoca? Só as crianças com autismo têm estereotipias? Neste artigo vamos responder a todas estas questões e mais algumas.

O que é a Estereotipia?

A estereotipia consiste em algo exclusivo, repetitivo e centrado em si próprio. Ou seja, a pessoa está focada no seu próprio “eu” abstraindo-se de tudo à sua volta. É muito frequente em crianças com autismo: estão tão focados na sua estereotipia que ignoram chamamentos, distrações ou outras coisas que se passem à sua volta. 

Estas estereotipias podem variar ao longo do tempo, e de pessoa para pessoa, consoante a necessidade. Ou seja: não são sempre as mesmas nem iguais.

As estereotipias podem ser:
Sonoras (ouvir sempre a mesma coisa repetidamente);
Repetição do mesmo movimento várias vezes;
Visuais (ver repetidamente a mesma coisa, desenho, objeto, vídeo) ou
Ecolalia (repetição de sons ou frases)


O que as provoca?

As estereotipias são uma autorregulação do “próprio eu” e podem ser prazerosas. É muito frequente, por exemplo, quando a criança chega a casa depois das aulas, ter este momento de autorregulação, ou mesmo durante uma atividade. É uma maneira de libertação de stress e de acalmar, ou pelo contrário um excesso de excitação e alegria que necessita de “ser controlada pelo próprio «eu»”. 


Mas … São só as crianças com autismo têm estereotipias?

Não. As estereotipias podem estar presentes em crianças, jovens e adultos com autismo. E mesmo em pessoas neuro-típicas (por exemplo, quando estamos nervosos roemos as unhas, andamos de um lado para o outro enquanto estamos ao telefone, enrolamos o cabelo na ponta dos dedos, etc.). É algo que fazemos apenas em determinadas situações. No entanto, principalmente em crianças com autismo, as estereotipias são mais frequentes, centradas em si próprio e muitas vezes mais exteriorizadas e notórias.   Não esquecendo sempre que cada criança é uma criança, cada pessoa é uma pessoa, vamos ter caraterísticas, especificidades e necessidades diferenciadas. É importante o acompanhamento individualizado e ir atendendo sempre às caraterísticas individuais de cada criança, jovem e adulto.

Raquel Branco
Raquel Brancohttps://www.facebook.com/bataazulterapia
Raquel Branco, do Porto, licenciada em Antropologia, mestre em Medicina Legal e curso de terapeuta comportamental especializada em PEA (intervenção precoce em crianças com autismo, jovens e adultos) com formação em modelo ABA. É fundadora do projeto Bata Azul Terapia para autismo, onde desenvolve workshops, formação parental e educacional e promove a terapia através do jogo (reduz o stress, tensão e deixa a criança mais entusiasmada nas atividades) auxiliando o desenvolvimento a nível emocional, motor, cognitivo, verbal e social. A vontade de ajudar levou-a a criar este projeto cheio de amor e dedicação.

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