Desistir não é Opção: No dia em que decidimos que queríamos ser pais fizemos imensos planos.

Por: Telma de Oliveira

Desistir não é opção: No dia em que decidimos que queríamos ser pais fizemos imensos planos. 

Em menina sempre sonhei em ser crescida. Casar, ter casa, ter filhos. Pelo menos dois e, se possível, gémeos. Um menino e uma menina. O meu argumento seria que desse modo ficaria “já despachada”. Durante anos fiz planos, imaginei cenários, daqueles de encantar. Costumava ficar horas sentada a cuidar dos nenucos. Outras vezes deixava-os aos cuidados dos “avós” que, para não quebrar a magia, lhes davam tanto amor como eu.  

A entrada na “idade da parvoíce” fez com que esse sonho se tornasse distante. Cheguei mesmo a acreditar que nada do que tinha idealizado era o que eu queria para mim. Foi efémero esse pensamento. Rapidamente se deu o clique e voltei a sonhar. Nunca fui uma miúda de muitas relações amorosas. Na realidade tive duas mais sérias, sendo que a segunda é a atual.

Ainda na primeira relação, o meu instinto despertou muito mais. Chamam-lhe “relógio biológico” julgo. Estava no auge dos meus 23 anos e achava que para engravidar bastava eu querer. Iludida estava. O meu companheiro da altura não queria ter filhos, e o que outrora era uma relação estável, acabou por descarrilar. Eu sei que seria incapaz de viver feliz se desistisse do grande sonho da minha vida, fosse por quem fosse. E no meu entender, na vida, temos sempre escolha. A minha tem sido sempre buscar o que me faz feliz. 

Os anos passaram e a vontade era cada vez maior. Encontrei aquele que é o homem da minha vida. O que me ensina todos dias que o Amor pode vencer tudo, o Amor pode tudo

No dia em que decidimos que queríamos ser pais fizemos imensos planos. Imaginámos várias histórias. Como iríamos educar, o que iríamos ensinar, que valores lhe queríamos passar. Imaginámos festas, natais, arraiais… E começaram as tentativas. 

Meses após meses, tentativas que se prolongaram no tempo, e já duram há três anos. De cada vez que a menstruação vinha sentia-a como uma facada no meu coração. Era uma desilusão, mês após mês. E aí vieram as dúvidas e os medos.

  • “Será que as loucuras da adolescência me provocaram algum tipo de problema que não é visível?”

 “Será algum tipo de força divina que não quer que seja mãe?” 

“Não estarei à altura?”

Tantos foram os pensamentos destrutivos que disse a mim mesma: Basta! Não podia continuar a viver de suposições. O processo seguinte foi ir ao médico e expor a nossa vontade, iniciando assim uma jornada de exames. Aquela espera por resultados é dolorosa. Não menos dolorosos foram os resultados: para nós seria praticamente impossível conseguirmos engravidar sem ajuda médica, sem tratamentos de fertilidade

Nesse dia levei um murro de realidade no estômago. É difícil enunciar em palavras a dor que senti naquele momento.  E chorei, dias seguidos. 

À minha volta, via toda a gente a conseguir engravidar. Perguntavam quando seria a minha vez, quando estaria a pensar em ter os meus filhos, porque “já não ia para nova”. As pessoas perdem a noção da dor que causam nos outros, quando a única coisa que sabem fazer é impor metas e prazos. Revoltei-me imenso com essas pessoas e fiz questão que soubessem. A revolta e a mágoa que sentia delas e do mundo, deu lugar novamente à força, à resiliência. 

Afinal desistir nunca poderia ser opção, certo? 

Iniciámos a nossa inscrição nos tratamentos de fertilidade da Maternidade e embora seja tudo ainda muito recente e, sendo a lista de espera demasiado morosa, e os requisitos são ao nível do ridículo. 

Desistir não é opção.

E, desistir não é opção porque afinal de contas, um dia existiu uma menina que sonhou e acreditou que seria possível. E essa menina merece todo o meu esforço, empenho e dedicação.

Acreditar vai ser sempre a força. Um dia será o nosso dia de realizar mais um sonho, e afirmo com a certeza de que será o dia mais feliz da minha vida. 

Telma de Oliveira
Telma de Oliveira
Olá, sou Telma! Uma miúda que adora dar gargalhadas! Alegre e bem disposta, que adora escrever sobre a vida, principalmente sobre A VIDA!

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