E meninos ainda não há?

Artigo escrito por: Mariana Matos

E meninos ainda não há?

Esta é uma questão que ouço recorrentemente. Esta e umas quantas semelhantes com o mesmo sentido e impacto.

Estás à espera de quê?”. E neste momento o meu cérebro, numa fração de segundo, pensa estou à espera que te caiam os dentes pois não fazes ideia do que dizes e do efeito que essa pergunta tem”.

Na fração de segundo seguinte acalmo o meu cérebro… tens razão, ela não sabe o que diz. A sociedade está programada para o que é o rumo “normal” da vida – estudas, tiras um curso superior, casas, tens filhos, crias a tua carreira num emprego que muitas vezes é o que se pode arranjar e não o que te faz feliz porque “tem que ser”.

Normalmente não me alongo em explicações. Respiro fundo e respondo “Será quando tiver que ser se tiver que ser. Até lá vivo a minha vida em pleno, fazendo o que me faz feliz no momento” [ou algo parecido que o meu discernimento do momento permita ou o grau de proximidade à pessoa]. 

 

"Sim, ainda não tenho filhos. Não é por opção. Mas…e se fosse? O facto de não ser mãe torna uma mulher menos Mulher, menos filha, menos irmã, menos amiga, menos esposa, menos profissional, menos qualquer coisa? É uma opção como outra qualquer."

Eu sei, quem pergunta não o faz por mal. Provavelmente também já o fiz e o facto de ter feito o percurso que fiz despertou-me para esta sensibilidade de não questionarmos se não conhecermos a realidade da pessoa.

Daí querer dar voz às mulheres que evitam encontros e reuniões de família pois já se avizinha o interrogatório. Às mulheres que julgam estar sozinhas e vivem a sua dor isoladas. Às mulheres que deixam de viver por não encontrarem o equilíbrio que necessitam.

Sim, AINDA não sou mãe, sei que o serei [há várias formas de o ser] e a minha vida continua ainda com mais energia para criar respostas que me ajudem e te ajudem a ti também a encontrares o teu equilíbrio.

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6 Replies to “E meninos ainda não há?”

  1. Ol´á, Mariana.
    Não costumo comentar em blogs, mas este tema faz-me muito sentido.
    Sei bem o que é passar por isso. Sempre as perguntas indiscretas.
    Até no trabalho, quando @s colegas, orgulhosamente passavam pela empresa para apresentarem, e muito bem, o novo elemento da família, eu levava com um “então e você? nunca mais traz um?”, como se “um” fosse um troféu que mostra o nosso sucesso, ou insucesso, na Vida.
    Passei a, simplesmente, não me chegar a esses eventos para evitar essas perguntas.
    Em família, a mais alargada – porque a mais chegada, já nem falava no tema, aceitaram que o que tivesse de ser seria – comecei a encarar as pessoas/os meus medos de frente e a perguntar abertamente se a pessoa tinha a noção da dor que aquela invasão da minha privacidade nos causava, se tinha a noção daquilo por que passávamos, se no limite podia ser mais empático…
    Pode ser uma abordagem muito dura para com os outros, mas não é de certeza mais dura do que aquilo que nos faziam e diziam…
    Foram 10 anos dessa Vida!
    Muita viagem por aqui e por ali e, após uma dessas viagens…
    … um dia teve mesmo de ser… cheguei mais rica…
    … e cá está uma menina linda de 3 anos! 😉

    Beijinho
    <3

    1. Olá Raquel!

      Tão bom o teu testemunho! Eu sei que não estamos sozinhas e que é fundamental passarmos esta mensagem.

      Há dias em que realmente não há paciência para explicações [que efetivamente não têm que existir]. Há momentos em que apetece desistir e outros em que o pensamento é simplesmente… Deixa fluir…o que tem que ser será! 😊

      Fico tão feliz que tenhas encontrado o teu “final feliz” ❤️ Eu sei que o meu também irá acontecer e que a viagem ainda está a começar.

      Grata pela tua partilha e carinho.
      Mariana

  2. Olá Mariana e restantes mulheres.
    Pois é, muitas de nós sofremos muito com essa pergunta e a maioria das pessoas não o consegue compreender.
    Atualmente sinto me ainda mais magoada com isso, após algum tempo a tentar ser mãe acabei por sofrer um aborto mesmo antes de a maioria das pessoas saber que estava grávida e agora essa pergunta indiscreta ainda me afeta mais do que durante todo o tempo de tentativas. Eu sei que as coisas sao como tiverem que ser mas sempre que alguem diz que ja esta na altura de ter um filho a dor é incalculável e o que ja tinha recuperado psicologicamente volta à estaca zero.
    Enfim, temos que ser corajosas até para conviver com a nossa dor.
    Beijinhos

    1. Olá Claudia, grata pelo teu testemunho.

      Percebo tão bem o que dizes! O importante, para mim, é que o assunto seja conversado e esteja “resolvido” entre o casal. Pois, essa união e apoio ajudam a ignorar o que se passa à volta e opiniões alheias 😊 [é certo que há situações e comentários que continuam a incomodar mas as respostas já estão mais preparadas …ou melhor, eu estou mais preparada para responder ou simplesmente ignorar 😀]
      Se puder ajudar de alguma forma [nem que seja uma “simples” conversa dispõe].

      Beijinhos,
      Mariana Matos

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