Mães em Quarentena

Tempos difíceis, estranhos e desafiantes estes que se viveram na primavera de 2020. Algo aconteceu, mudou o mundo, alterou vidas e acabou com planos e sonhos. Provocou tristeza, revolta, incertezas e até solidão.

Como pessoa, caí, levantei-me, caí novamente e voltei a levantar-me. Fiz tudo o que pude para me adaptar, para que a vida não perdesse o sentido e continuasse a remar até porto seguro.

Como mãe, reinventei-me, adaptei-me, dediquei-me. Cuidei, e não deixei de querer ser sempre mais e melhor. Mas (como há sempre um “mas”) sinto que, apesar de tudo, de ser e sentir querer ser ainda mais e melhor mãe, perdi-me enquanto Eu: deixei de ser para estar.

Falhei em ser a minha pessoa, em ser quem sou, para ser apenas como sou: uma mãe.
Apenas isso, uma mãe.

Aprendi a valorizar ainda mais este trabalho que muitas mulheres desempenham – 24h sob 24h- esta função que a vida me deu e que nunca acabará. Serei sempre mãe, a mãe!

No entanto, percebi também o quanto preciso de mim, de ser Eu. Descobri em mim capacidades que desconhecia, criei mais, pensei mais, organizei-me (mas ao mesmo tempo estando dedicada ao meu filho a 100%) os meus planos passaram para o plano de fundo… Quis criar, inovar, relançar-me, de forma a sentir-me realizada profissionalmente, mas a verdade é que não o fiz sozinha: fi-lo com ele, e por ele!

Juntei a dádiva de ser mãe para me sentir mais ativa no trabalho. Aproveitei o trabalho com crianças para dar o melhor de mim incluindo-o sempre no meu lugar, comigo e ali.

E que lição aprendi?

Que a vida nos prega partidas, mas com tantas pedras no caminho existe sempre uma que podemos usar para destruir obstáculos. Há sempre lugar para abrir horizontes, para sermos mais e melhores. Precisamos de nos reinventar, de nos erguer, de nos mostrar que somos capazes.

Aprendi que a vida não pode ser monótona, não pára. Se por vezes temos de dar um passo atrás, outro dia vamos dar dois para a frente. Aprendi ainda que o meu filho fará sempre parte de mim e que só fará sentido se o incluir em todos os meus projetos/planos.

Por fim, aprendi ainda que preciso de mim, do meu tempo. Preciso do meu momento para respirar, recarregar e reencontrar. Apesar de sermos um, nós somos um também. Entendes?

Nunca colocaria em causa aquilo que sentimos pelos nossos filhos e a dádiva que é poder contar com eles na nossa vida. Mas que é difícil, é. Que custa, realmente custa.
Mas não trocaria isso por nada, e é esse sentimento duro que nos alenta a alma e nos aquece o coração!

Rita Pires Pereira
Rita Pires Pereira
Rita, 34 anos, casada e mãe de um piratinha com 33 meses, que maravilha! Licenciada em Filosofia e com formação em Filosofia com Crianças, adoro brincar a pensar! Daqui nasceu há 6 anos o projeto com crianças, cheio de animação – o Funactive Kids. Hoje dedico-me essencialmente ao meu espaço, fazendo festinhas temáticas. Tenho espirito dedicado, vontade de criar e partilhar. Um beijinho, Rita Pires Pereira

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