O que nunca te disseram sobre ser Mãe

O que nunca te disseram sobre ser Mãe” por Mafalda Barbosa

Ser mãe é maravilhoso. 

Mal engravidas, tens a família, os amigos e até pessoas estranhas no supermercado a dar-te os parabéns. E dão-te prendas, conselhos, dizem-te que finalmente vais saber o que é o amor. Um amor maior, incondicional dizem. 

E tu aceitas tudo que as pessoas têm para te dar.

A gravidez é passada com paparicos e um sorriso carregado de esperança. E ansiedade, muita, pela próxima fase. Fazes o ninho, preparas a chegada, imaginas cenários na tua cabeça. 

E depois o bebé nasce.

E ninguém te contou do vazio que fica no teu corpo. Da tua barriga murcha como um balão. Da tua inabilidade de ser mãe. De não saber pegar, de não saber dar de mamar, de não saber identificar o choro. E tu choras também, porque ninguém te disse. 

Mas porque é que não te disseram? Porque é que te passaram uma visão romântica da maternidade como algo perfeito? Não devia acontecer tudo como se por magia?! Porque nunca te disseram que é difícil, e cansativo, e assustador? Que não ias dormir (será que alguma vez se volta a dormir?), que deixas de ser tu para seres a “mãe de” alguém. Que toda a gente te vai impingir conselhos “infalíveis” porque têm 3 filhos e, portanto, sabem melhor que tu. E que tu vais aceitar, vencida pelo cansaço e agradecida pela ajuda. Que é terrível cortar unhas, que dar de mamar é doloroso (depois passa), que o desmame é uma facada no coração. 

É difícil, mesmo muito difícil. 

É que quando nasce um filho, nasce também uma mãe. E tu, mãe acabadinha de nascer, não sabes muita coisa. És desajeitada e insegura. Vais ter de valer-te da arte da adivinhação, ao aprender isto da maternidade. É que nesta escola, primeiro fazes o teste, e só depois aprendes a matéria. 

Vives com a interrogação constante: será que estou a fazer bem? E tens medo, muito medo de falhar. Nas mãos o peso não é muito, mas na alma carregas o peso da Vida. E na fragilidade do momento, focas-te na dele e esqueces a tua. Com o tempo assumes a novidade e o incontrolável como amigos íntimos. As coisas vão correr bem. Quando dás por ela, já és mãe (sempre o foste). E vais perceber porque é que ninguém te disse estas coisas. 

É que, realmente, isto tudo não é importante. Atrás de todo o medo, de todas as incertezas, de todas as perguntas sem respostas está o Amor

O tal que todos falavam, a segurar as pontas, a compensar a fralda que esteve suja tempo demais, as noites mal dormidas, os vómitos inconvenientes. A memória que fica é do amor partilhado. Do conforto do colo da mãe e do aperto de um abraço. Da sesta lado a lado, onde se esquece que o cordão umbilical já foi cortado. 

Não existem mães perfeitas, porque basta ser mãe para o ser.

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