Ser Mãe a “part-time”

Pergunto-me muitas vezes se estou preparada. Aliás, pergunto-me sempre, em qualquer situação do quotidiano: será que me preparam para isto? Mas será que a minha decisão vai ao encontro do que é esperado de mim? 

Na verdade a resposta é SIM. Sim, estás preparada para tudo, porque és Mãe e a tua decisão será a melhor para a tua cria, logo é a acertada. Confia! 

Então, hoje conto-vos a História de uma Mãe que abdicou (em parte) da sua cria, em prol da liberdade da criança e do seu desenvolvimento num ambiente completamente genuíno e repleto de coisas simples e lindas. 

MAs, sim, essa Mãe sou eu e não, não sou pior Mãe por isso. 

Sou Mãe a part-time!  

Certamente haverá imensas opiniões acerca do tema, tantas quantos os estilos de vida que cada mãe escolhe para si e para a sua família – mães a tempo inteiro, mães das 17h às 07h, mães aos fins de semana, etc., mas todas elas têm uma coisa em comum: são Mães, e o Amor que as une aos seus filhos é inquestionável.  

Mães que carregam o “fardo” de fazerem o melhor que sabem, de se superarem diariamente para conseguirem provar que são capazes, 24 sobre 24 horas. Assim, desde que fui Mãe, por diversas circunstâncias da vida e por enquanto, decidi ser “mãe a part-time” e não, não o escrevo de ânimo leve. Então escrevo, por um lado, com a maior dor no peito, e, por outro, com o coração descansado porque sei que a minha filha está feliz, com pessoas que a amam tanto quanto os Pais. Mas optei por lhe proporcionar um início de vida no campo, com todas as descobertas e conquistas que só lá iria conseguir concretizar – a liberdade.  

Assim, aqui considero que é Amor, e só poderá ser, um grande Amor. Que abdica de estar com ela diariamente para que possa crescer, e lembrar-se de que os seus primeiros anos foram vividos com a maior das intensidades, e que a sua vida não poderá, nunca, ser menos que isso. Além disso, a minha filha desfrutou e presenciou os últimos anos de vida de pessoas muito importantes, que um dia não estarão mais – pelo menos fisicamente.  

Aliás, longe dela, deito a cabeça na almofada, vejo o rolo de câmara tantas vezes quanto seja possível, até o sono vencer a batalha. Mas acalmo o coração e conto os dias que faltam para nos reencontrarmos novamente. Fecho os olhos e revivo os momentos em que eramos só nós, a olhar uma para a outra. 

Entretanto chega o fim-de-semana, e aí sou feliz e completa, tenho-a para mim. Aliás, confirmo, mais uma vez, que este esforço não é em vão. Está linda, livre e feliz – como eu quero que seja sempre e para sempre! 

Mas, independentemente das decisões que tomemos, não podemos permitir que duvidem ou questionem as decisões de uma MÃE. Certamente que a culpa existe, o julgamento por parte de quem só sabe metade da história também existe, mas lutemos por combater e eliminar tudo o que não nos acrescenta! Ser Mãe também é sacrifício, desde o primeiro até ao último dia… 

E ser Mãe foi o melhor que me aconteceu!

Cátia Sofia Ferreira
Cátia Sofia Ferreira
Sou Cátia Sofia Ferreira, há 29 anos, natural de Ponte de Sôr (Portalegre) mas a viver em Lisboa. Divido o meu tempo entre o Alentejo e a Capital, onde trabalho! Sou licenciada em Ciências da Comunicação e da Cultura, sou Mãe de uma Eva com quase dois anos e sou Feliz, que é o que realmente importa na nossa Biografia.

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Comentários

  1. Não há decisões fáceis para uma mãe. E nós, mães, cá temos uma voz, uma intuição, um poder a nada comparáveis. Força ❤️

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