Autismo e hipersensibilidade

Existem muitas pessoas com autismo que podem ter várias hipersensibilidades. Não é comum a todas, mas a grande parte. Contudo, existe uma grande variedade das mesmas, dependem de pessoa para pessoa. e podem melhorar ou agravar ao longo do tempo. Por isso, é necessário estar atento ao que as possa causar. 

Alguns tipos de hipersensibilidade podem ser:

Hipersensibilidades Sonoras – Podem existir sons que por mais baixos que sejam podem afetar a criança, ou até mesmo ter alguma reação adversa a alguns tipos de sons, como por exemplo: aspiradores, secadores, varinhas mágicas, sítios com vários barulhos ao mesmo tempo, várias pessoas a falar, entre outros. Algo frequente quando a criança ou o jovem está exposto a um som que lhe causa transtorno, é por exemplo, tapar os ouvidos com as mãos e não saber como reagir. 

Hipersensibilidades Visuais – A sensibilidade visual pode estar associada a vários aspetos, como cores, luzes, objetos. Estes podem provocar um desregulamento sensorial na criança. Muitas vezes podemos ter alguns destes exemplos em casa e não nos apercebermos, o que pode provocar alguma irritação ou frustração na criança. É muito frequente por exemplo, existirem crianças que necessitam de dormir com uma ténue luz de presença ou precisamente o contrário, só conseguirem dormir um sono regulado com tudo escuro, incluindo persianas totalmente fechadas. 

Hipersensibilidade ao Toque – Quando falamos de uma hipersensibilidade ao toque, não estamos apenas a referir o tocar na criança, mas sim tudo o que lhe possa causar desconforto no corpo, como certos tipos de tecidos/roupas (é frequente a criança querer tirar aquela roupa para se sentir confortável, ou não querer usar certas tolhas de banho, lençóis, etc.). O mesmo se aplica a tocar em certos objetos pela sua textura que podem levar a despertar algumas sensações negativas, o que pode levar a criança a ter aversão a algumas coisas.

Hipersensibilidades Olfativas – Podem também existir cheiros a que a criança seja hipersensível, como cheiros muito fortes, certos perfumes, detergentes e comidas. Existe um leque muito variado neste campo: alguns tipos de cheiros podem provocar uma irritação, desconforto ou mesmo frustração na criança. Muitas vezes, pode ser complicado perceber de que odor se trata, principalmente porque nos pode passar despercebido. 

É importante referir que, em algumas crianças e jovens com autismo, as hipersensibilidades podem ser mais acentuadas que noutras, ou mesmo inexistentes. Cada criança é uma criança e como tal vai ter as suas próprias características, gostos, preferências e formas de reação. Em algumas situações pode ser complicado perceber ao que a criança é hipersensível, mas compreender, ajudar e estar presente é sempre uma forma reconfortante para auxiliar a nossa criança. 

Raquel Branco
Raquel Brancohttps://www.facebook.com/bataazulterapia
Raquel Branco, do Porto, licenciada em Antropologia, mestre em Medicina Legal e curso de terapeuta comportamental especializada em PEA (intervenção precoce em crianças com autismo, jovens e adultos) com formação em modelo ABA. É fundadora do projeto Bata Azul Terapia para autismo, onde desenvolve workshops, formação parental e educacional e promove a terapia através do jogo (reduz o stress, tensão e deixa a criança mais entusiasmada nas atividades) auxiliando o desenvolvimento a nível emocional, motor, cognitivo, verbal e social. A vontade de ajudar levou-a a criar este projeto cheio de amor e dedicação.

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