4 dicas para interagir com a criança com autismo

Uma das principais preocupações por parte dos pais, cuidadores e educadores de crianças com PEA (perturbações do espectro do autismo, mais frequentemente designado apenas autismo), pode passar pelo facto de tentar captar a atenção da criança e mesmo interagir com a mesma. Estas 4 dicas podem ajudar:

  1.  Perceber os interesses da criança

Uma forma de começar a interagir com a nossa criança é perceber quais são os seus maiores interesses, o que lhe desperta mais a atenção, por exemplo, alguns objetos ou brinquedos em específico, algum desenho animado, atividades com água ou areia, etc. Ou seja, perceber o que atrai mais a sua atenção, naquilo que se foca mais quando está descontraído. Uma boa forma de percebermos os interesses é analisar as suas brincadeiras. Cada criança vai ter o seu próprio foco e interesse, por isso, é importante percebermos em específico qual é. 

  1. Utilizar coisas cativantes 

No seguimento do ponto anterior (ao perceber o que desperta a atenção da criança) podemos usar isso para lhe chamar a atenção. Perguntar “olha, queres isto?”, gesticular com o objeto. Quando a criança está motivada é muito mais fácil despertar a sua atenção e muito mais agradável para a mesma. 

  1. Estimular o contacto ocular/visual 

Estimular o contacto visual connosco também é uma forma de ajudar na interação da criança. Uma das formas de o fazer é: de cada vez que lhe formos entregar algo (um item pelo qual esteja mesmo interessada, um brinquedo ou bolacha) levá-la na direção dos nossos olhos e boca. Isto leva a criança a olhar para o nosso rosto de forma espontânea e não forçada

Outro ótimo exercício é colocar a criança de frente para o espelho (convém ser um espelho grande) e fazer algumas brincadeiras com ela

  1. Participar numa brincadeira

Quando a criança está a brincar com algo do seu interesse, mas sozinha, podemo-nos juntar a ela. Devemos sentar perto (tendo em atenção, aproximadamente, um metro de distância, pois, existem crianças que numa fase inicial podem não ser recetivas ao toque e também não queremos que sinta o seu espaço invadido) e começar por imitar alguns gestos que está a fazer com os brinquedos.

No início pode existir pouco interesse na nossa presença por parte da criança, mas com a continuidade, este “distanciamento” vai diminuindo, pois vai começar a aperceber-se que não está sozinha na sua maneira de brincar e manusear as coisas. E vamos-lhe transmitir confiança. Mostrando sempre uma expressão de felicidade, a mensagem que queremos passar à criança é que estamos ali com e para ela

É importante lembrar sempre que cada criança é uma criança e, como todos nós, tem as suas próprias caraterísticas individuais. Todos nós somos diferentes uns dos outros, gostamos de coisas diferenciadas, por isso, é muito importante conhecer e compreender a nossa criança. Pode nem sempre ser fácil, mas com persistência e o amor pelas nossas crianças conseguimos. 

Lembre-se: podemos aprender, brincar, treinar capacidades e divertir-nos ao mesmo tempo!

Raquel Branco
Raquel Brancohttps://www.facebook.com/bataazulterapia
Raquel Branco, do Porto, licenciada em Antropologia, mestre em Medicina Legal e curso de terapeuta comportamental especializada em PEA (intervenção precoce em crianças com autismo, jovens e adultos) com formação em modelo ABA. É fundadora do projeto Bata Azul Terapia para autismo, onde desenvolve workshops, formação parental e educacional e promove a terapia através do jogo (reduz o stress, tensão e deixa a criança mais entusiasmada nas atividades) auxiliando o desenvolvimento a nível emocional, motor, cognitivo, verbal e social. A vontade de ajudar levou-a a criar este projeto cheio de amor e dedicação.

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