Humanidade em visão Mindfulness

Por António Costa

A espécie humana, da qual eu e tu fazemos parte, tem crescido a um
ritmo elevado e ainda não aprendeu a viver em comunidade, ou seja, a dividir e coabitar num espaço comum que é o planeta terra.
Urge a necessidade de aumentarmos a consciência da humanidade por forma a que as emoções como o amor, empatia, compaixão, responsabilidade sejam predominantes ao invés do medo, crítica, julgamento ou agressividade.


No meu ponto de vista, a dificuldade de acedermos a estas emoções
está no poder que a mente exerce sobre as nossas ações ao invés do
poder do coração, e a nossa ainda forte ligação a padrões de
reatividade assentes na necessidade de sobrevivência.


Estas dificuldades podem ser ultrapassadas pela desconstrução do EGO ou, se preferirem, da nossa personalidade, sendo que, para desconstruir, temos que ver como é que fomos construídos, ou seja, olhar para nós mesmos antes do nosso nascimento, heranças familiares/genéticas, os momentos entre a nossa concepção e nascimento, e só depois o caminho mais visível, como o ambiente familiar, social, escolar, relações amorosas e profissionais.

Iniciar esta desconstrução dá algum trabalho e alguma dor ou sofrimento, no entanto, cada passo dado dá uma sensação de superação, de crescimento, de um sentido de vida, pois vamos sentindo que estamos cá por um propósito. No fundo, é uma escolha, como tantas outras que temos que fazer na vida, e sobre esta opção cito uma frase de uma personalidade da área da mente:


Quem olha para fora sonha, quem olha para dentro desperta”
Carl Jung

Se restarem dúvidas sobre a opção a tomar, ou seja, se queres despertar ou se queres sonhar, observa a forma como comunicamos uns com os outros, onde o ataque (intenção de causar dano) está tantas vezes presente, ao invés da compaixão, amor, compreensão e tolerância. O ataque está normalmente dissimulado na crítica ou no julgamento, seja para fora (outros), seja para dentro (contra nós próprios), sendo que muitos destes ataques, senão todos, estão sustentados em percepções tidas num momento específico ou pela forma como fomos construídos.

E, se ainda assim existirem dúvidas, sobre a tua opção, convido-te a refletir sobre a forma como a nossa espécie trata o organismo que permite a nossa sobrevivência – o planeta terra. Um pouco insano, não é?

Quando refletimos sobre o nosso dia a dia, acordar, ir trabalhar, voltar a casa, fazer as lidas da casa, distrair a mente com informação que outros querem que nós vejamos (televisão), deitar e repetir o mesmo ciclo no dia seguinte, isto para receber aquilo que se chama dinheiro para poder sustentar este ciclo.

Será que estamos cá só para isto?
Agora imaginem que eram os donos de uma fábrica gigante, não seria isto que davam aos vossos empregados se quisessem que eles produzissem continuamente? Ou talvez ainda acrescentassem algumas drogas (álcool e outras) ou ainda acelerassem a velocidade da informação para que ficasse tudo na superfície sem possibilidade e tempo de aprofundar ou questionar.

Isto tudo para aumentar a distração e dissociação da realidade, para que assim estivessem todos na “linha”.

A pouca consciência deste ciclo leva inevitavelmente à pouca consciência que neste processo vamos consumindo os recursos de um organismo vivo que permite a nossa existência, o planeta.

O olhar para dentro provoca o despertar, ou seja, o aumento gradual da consciência, movimento que faz lembrar, assim de repente, o filme “Matrix”.
Apesar de estares a ler a visão pessoal de apenas um ser humano, convido-te a refletires sobre a tua vida e sentires se estás/estamos realmente conscientes ou não.
E se concluíres que estás realmente consciente, desafio a que escrevas num papel aquilo que estás a fazer por ti, pela humanidade ou pelo planeta.

No fundo é como realizar um upgrade ao teu software (mente), através de técnicas/ferramentas/meios que te permitam ver para além daquilo que a tua mente está programada para ver, receber e aceitar, pois só desta forma podes sair do ciclo/programa e despertar, para que assim vivas realmente.

Hoje em dia, felizmente, existem várias formas/meios de começares ou reforçares o teu caminho de despertar ou descoberta, sendo que eu falarei daquele que para mim é indispensável a qualquer despertar, que é a meditação Mindulness.


A meditação Mindfulness ou meditação de Atenção Plena permite-te limpar a mente, sim limpar, pois de facto a mente está suja com programas antigos, com pensamentos negativos, crítica, julgamento e histórias sem sentido de futuros impossíveis de prever ou de passados que não voltam ao presente. Na prática da meditação esta sujidade é serenada, ela pousa, permitindo que a clareza, a tranquilidade e o equilíbrio tome lugar trazendo ao de cima aquela emoção que tanto queremos para a nossa vida, o amor.

Neste processo de descoberta ou despertar começam a acontecer “coisas” dentro de nós e à nossa volta, começamos a sentir mais, a perceber melhor quem somos, a sentir e a ver mais a natureza, a responder mais ao invés de reagir, a notar os nossos processos mentais e emocionais, a olharmos mais para o que realmente interessa, largando o fútil e aquilo que não nos nutre, levando a que as pessoas à nossa volta fiquem também contagiadas pela mudança ao verem mais sorrisos, ao sentir mais calma, ao receber mais
atenção, mais amor… no fundo, a sentir a vida.