Divórcio, devo divorciar-me?

Será que devo divorciar-me?

Por Catarina Louçada

As férias são um período de grande tensão para as relações humanas. Estamos mais livres e mais bem-dispostos, por um lado. Por outro lado (o lado que dói) estamos mais ansiosos para viver melhor, com maior felicidade. Tornamo-nos mais caprichosos e é nesta altura que todos aqueles pequenos desajustes camuflados pelas exigências da rotina, sobressaem. Nas cabeças de muitas mulheres, surge a questão: 

Será que devo divorciar-me? 

Os motivos para a dúvida são vários, mas todos com o mesmo fundamento: algures no tempo, a relação começou a morrer. 

A resposta a esta pergunta é bem mais simples do que parece: a pergunta está errada! O que te interessa saber não é se deves divorciar-te mas sim se queres manter essa relação. 

O casamento é apenas um monte de burocracias e nada mais do que isso. O verdadeiro “casamento” é o compromisso que renovamos diariamente e, quando não o fazemos, apenas sobram os papéis. Neste Verão, é importante que recuperemos a decisão, seja ela qual for. 

O peso da vida a dois… ou a mais. 

Quando estamos a namorar, é mais simples. Arranjamo-nos catitas para ir ver o namorado, o namorado vem catita para nos agradar e pronto… já sabemos que temos aquele intervalo de tempo para namorar. Tem um início e um fim. Se não nos estiver a apetecer… podemos simplesmente adiar, desmarcar ou encontrar alguma estratégia semelhante. 

A coisa muda quando estamos casados e temos uma casa em conjunto, uma cama em conjunto… tudo em conjunto. Por vezes já não apetece estar ali com aquela pessoa mas também não vamos partir já. Resultado? Aceitamos mais um pouco. E mais um pouco. E mais um pouco. Ou seja: vamos acumulando inúmeros pequenos conjuntos de “não me apetece aturar-te agora”, de tal forma que parece que já nem apetece aturar nunca. 

Quando se trata de responder à pergunta-chave “devo divorciar-me?”, é importante que tenhamos presente que a resposta deve ser dada depois de limpar o registo. 

A importância da limpeza emocional 

O que está para trás, é resultado da ação ou omissão de ambos. Se agora estás a observar a tua relação com mais intenção, é normal que mudes a tua atuação. Ao mudares a tua atuação, é normal que mudes também a reação/ação do outro. Se estás a questionar-te, aproveita a oportunidade para um desafio de conhecer quem o outro é agora. 

A vida é composta de experiências e nós mudamos com elas. Desde o casamento até aos dias de hoje, ambos viveram diversas experiências e, muitas delas, sozinhos. Seja no emprego, seja com amigos. Essas experiências tornam-se aquisições que nos ajudar a crescer. 

Entre o que ele é e o que ele faz, há uma diferença. Aliás, para ambos há essa diferença. Aquilo que tu fazes é relacional. Tu ages em conformidade ao que consideras expectável na relação e ele faz o mesmo. O que vocês são é individual. Se gostas do que ele É, então podem sempre trabalhar o que ele FAZ. Mas, para isso, precisas saber quem ele É agora. 

Quais os pontos mais importantes de um bom Marido? 

A vida muda, as regras mudam mas os valores são a base de todas as decisões. O mais seguro é analisares o teu marido pelos seus valores e perceberes se é alguém que admiras e que queres ter ao teu lado. 

Se a resposta for positiva, é altura de analisares se tu és a pessoa que ele quer ter ao lado. Atenção que esta é uma pergunta com rasteira porque neste momento, a tua resposta pode ser influenciada pela vossa relação mais recente. Não queres olhar ao que tens feito mas sim ao que és, agora que estás mais “crescida”. 

Será que o teu marido te quer? 

Para saberes a resposta a esta pergunta, precisas de três requisitos prévios: 

  1. tu própria saberes quem és
  2. tu apresentares confiante o teu SER 
  3. tu garantires que o teu FAZER está coordenado com o teu SER

e, já agora, em tom de bónus:

garantires que ele se apercebe da tua revelação. 

Só assim podes ter uma resposta mais fiável à pergunta “será que ainda sou a mulher que o meu marido quer ao seu lado?”

Posso partilhar a minha experiência enquanto Coach: a maioria das vezes, ambos estão cansados (eles) e magoados (elas) e acreditam que não. Mas quando trabalhamos o SER e não o FAZER, recordam-se do que os uniram. 

Aproveita estas férias para partilharem momentos de intimidade mental, emocional e física. Nessas partilhas, garante que fazem algumas conversas impactantes, baseadas:

  1. no que acreditam ser certo
  2. no que desejam para cada um
  3. no que desejam para a vossa família
  4. no que mais gostam de fazer no tempo-livre

Tem o cuidado de garantir que crias um espaço de partilha livre, sem discussões nem cobranças. Se queres conhecer e dar-te a conhecer, é importante que se sintam à vontade para se expressarem. 

Só final deste percurso podes responder à tua pergunta:

será que devo divorciar-me?

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