Por Catarina Louçada
“Ah e tal, com o casamento o namoro acaba.” Ou então “ah e tal o segredo é continuarem a namorar.” Tantas receitas super certas que nos são entregues de bandeja. Qual manual de instruções de microondas.
A parte irónica da questão, é que nós não somos microondas (embora tenhamos tendência a levantar imensas ondas quando estamos irritados). Somos humanos, giros e maravilhosos e com uma coisa importante chamada: capacidade de aprendizagem! Ora, se por um lado a capacidade de aprendizagem é uma coisa boa, por outro lado, tem uma consequência muitas vezes ignorada: necessidade de desafios e desenvolvimento. O problema surge quando a aprendizagem nos leva para caminhos diferentes.
Então, mas não ias falar em casamento e sexo?
Cá estou eu, vamos lá! As mulheres e os homens funcionam de forma diferente. Isto já é cultura geral, assumida por todos, certo? Então, por que motivo partimos da premissa que um tem de conhecer o outro e perceber completamente como a coisa funciona? Em que aula aprendemos a manter a sedução, mesmo quando a vida adulta nos ataca? Em que aula aprendemos a ser sexy e divertido quando a relação já se torna rotineira? E, melhor ainda, onde é que aprendemos os códigos de prazer do outro?
Outra coisa: nós entregamos o IRS no último dia do prazo, chegamos em cima da hora e aproveitamos os saldos como se não houvesse amanhã. O FOMO (fear of missing out) é um excelente motor da ação do normal ser humano. No sexo não há urgência. Ele vai lá estar amanhã, depois e depois… (se estiver, claro. Mas isso são outros quinhentos).
Mas se o sexo é prazer, por que motivo não temos nós urgência para aproveitar? É gratuito, dá prazer, pode ser rápido ou lento… é uma solução maravilhosa e à medida. Só que não é assim, na verdade. Regra geral, a malta não comunica verdadeiramente o que gosta, o que quer e o que precisa. O outro não adivinha e depois estão a cumprir calendário.
Chegam as “dores de cabeça” estratégicas e o “adorei” para finalizar.
E, claro, passamos a sonhar com as Sombras de Grey e outros primos que tais. Claro que os homens deviam aprender (ou pelo menos querer aprender) mais sobre as mulheres mas, se não o fazem, podemos nós ensinar, educar e exigir se for preciso. É o nosso prazer e uma vida sem prazer é como comer anestesiado e com o nariz entupido: não sabe a nada!
Temos de tomar as rédeas do nosso prazer e incentivar aquilo que queremos. Demonstrar que os verdadeiros preliminares começam no “levar o lixo sem eu ter de pedir”, continuam no “isso que acabaste de fazer lembra-me quando começamos a namorar” e concluem-se numa adequação da ação ao tipo de sexo desejado.
O quê? Tipo de sexo?
Sim! Não tem de nos apetecer sempre sopa de cenoura, certo? Ou pizza… Seja o que for, podemos querer variar e está tudo certo. Mas isso, fica para o próximo artigo: Os 3 tipos de sexo que salvam casamentos. (lembra-te de seguires para receberes)
Antes disso, vamos então aos 3 motivos para a coisa não funcionar:
- Não tens o prazer que era suposto teres
(a trabalhar como Coach, apercebi-me que há uma infinidade de mulheres que nunca teve um orgasmo na vida toda! E mesmo as que já tiveram, não foi durante a penetração. É normal que não te apeteça voltar a “treinar” se nunca recebes o prémio, certo?) - Não responde à necessidade concreta
(falaremos disso no próximo artigo, como te disse, mas há 3 tipos de sexo e é uma chatice estarmos a querer uma coisa e recebermos outra. Acaba por saber sempre a pouco… ou a errado) - Não és tratada como especial (uma das grandes reclamações que descobri é o facto de não sentirem que o prazer do parceiro se deveu a estar concretamente com elas mas sim ao sexo. Como se o sexo desse prazer independentemente da pessoa em questão. Uma Cliente chegou mesmo a partilhar uma expressão maravilhosa: parece que sou uma boneca insuflável) . Tens direito a sentir-te a última bolacha do pacote ou a flor mais vermelha do jardim. Afinal, é o maior grau de intimidade que podes ter com alguém. Se não estás a receber prazer que compense o esforço, responda ao que queres e te faça sentir a melhor amante do universo… então é normal que surjam mágoas e afastamentos.
Sexo? Sim! Mas de qualidade, por favor.
O casamento e o sexo – 3 motivos para a coisa não funcionar como deve.
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