A importância de conhecer as emoções

Por  Carolina Noite Placido

Foi após a primeira perda de alguém muito querido na sua ainda curta vida que a Beatriz, na altura com apenas três anos, começou a confrontar-se com emoções até aí nunca vivenciadas. Para nós, enquanto pais, foi difícil lidar com esta situação e sobretudo conseguir geri-la com a nossa filha. Lidar com a morte aos três anos de idade é algo deveras marcante e a Beatriz compreendeu imediatamente o que aconteceu e o que a mesma implica. 

Uns meses depois, ela trabalhou na escola com o livro “O Monstro das Cores”, de Anna Llenas. Ao final do dia, chegava a casa a falar sobre as suas emoções e sobre aquilo que sente. E eu vi ali um caminho… Um caminho para ajudá-la a identificar o que sente, a dar-lhe um nome e assim conseguir gerir melhor os seus conflitos interiores.

Comprei então a versão pop-up, que por sinal é lindíssima, e ofereci-lhe!

Neste livro o Monstro tem as suas emoções ao rubro, numa completa confusão, e por isso é necessário aprender a arrumá-las. Para que isso aconteça, a criança é convidada a conhecer cada emoção, a saber identificá-la, estando esta sempre associada a uma cor.

Muitas vezes, aninhámo-nos no sofá a ler o livro. Página a página, conforme lia, explicava-lhe e fazia com ela o exercício para cada emoção: “A mamã fica triste e chora quando tem saudades dos teus avós, que estão na Madeira. E tu? O que te faz triste?” E ela parava para refletir sobre o que a faz triste, bem como o que lhe dá medo, o que a faz feliz ou ficar zangada, quando é que se sente calma e também sobre o que é o amor. E ali… parávamos no tempo, a conversar sobre as emoções que vão nascendo em nós, nas mais variadas circunstâncias dos nossos dias. 

Pouco tempo depois, a Beatriz recebeu uma prenda (bastante útil, também!) de uns tios: “O Pássaro da Alma”,de Michal Snunit. Com este livro, somos levados a refletir sobre o pássaro que habita a nossa alma! Ele contém diversas gavetas, cada uma com emoções e sentimentos. E é esse pássaro que representa aquilo que somos e o que sentimos… cada um de nós! Nesta obra, tornada best-seller, aprendemos a escutar o pássaro que existe dentro de nós e a perceber aquilo que ele nos faz sentir. 

Defendo que devemos comunicar de forma honesta com os nossos filhos. Cá em casa não existem assuntos tabus com a Beatriz. E mesmo no que toca à morte, ela conheceu cedo demais esta dura realidade mas hoje lida com ela de forma mais natural, embora tenha os seus momentos de crise existencial. Mas ela aprendeu e cresceu tanto! E da mesma forma que devemos ser sinceros com os mais pequenos, é verdade que os livros também têm um papel fundamental no desenvolvimento dos nossos petizes. Neste caso, tanto “O Monstro das Cores”, como o “Pássaro da Alma”, foram ótimos companheiros da Beatriz, na sua descoberta pelo mundo das emoções e da sua ainda tenra formação de personalidade. Com estes “amiguinhos”, a Beatriz aprendeu a identificar aquilo que sentia e por conseguinte, conseguia conversar sobre isso com mais naturalidade. Foi como que um desbloqueio! E para mim, foram um excelente motor para ajudá-la a trilhar esse caminho. 

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